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sábado, 27 de outubro de 2012

HISTÓRIA: O NAUFÁGIO DO MV ESTONIA

O MV ESTONIA era uma balsa de passageiros construída em 1980 em Pappenburg nos estaleiros Jos L Meyer. Tinha cerca de 157 metros de comprimento, 24 metros de boca, peso bruto de 15566 toneladas e podia navegar a uma velocidade de 21,2 nós. Inicialmente tinha capacidade para transportar 2000 passageiros, tendo depois sido alterada para 1400 em 1190 cabines. Podia carregar também 370 carros e 52 caminhões. Sua primeira viagem se deu a 05 de Julho de 1980, fazendo a rota Turku (Finlândia) a Stockholm (Estocolmo - Suécia).



O último proprietário do MV ESTONIA foi a Estonian Shipping Company que comprou o navio em 1992. Antes de pertentecer a ela o Estonia já havia tido outros nomes e outros proprietários, são eles :

Período Nome do Navio Proprietário
1980 a 1990 Viking Sally Rederi Ab Sally - Viking Line
1990 Silja Star Oy Silja Line Ab - Effjohn International
1990 a 1992 Wasa King Wasa Line - Effjohn International

Durante sua existência esteve envolvido em vários acidentes/incidentes :

Data Acontecimento
20/10/1981 Colidiu com o barco Ragrund na parte sul do arquipelago Aland.
25/10/1982 Bateu no fundo do mar em Turku (Finlândia).
01/09/1983 Ficou a deriva em virtude de uma pane em uma das hélices, na Ilha de Ixla.
23/05/1984 Bateu nas pedras próximas do arquipélago de Flogo Aland.
02/04/1985 Estragou uma das hélices durante viagem que fazia. Ninguém sabe como aconteceu.
05/11/1988 Durante uma operação de resgate de naufrágos de um barco, bateu contra as pedras e estragou uma hélice e o leme, próximo a Stockholm (Suécia).
27/12/1989 Colidiu com um pesqueiro perto de Mariehamn.

Em sua última viagem, o ESTONIA zarpou da cidade de Talinn (Estonia) em 27 de Setembro de 1994 por volta das 19:00 horas com destino a Stockholm (Suécia), levando à bordo 989 pessoas. O tempo estava ruim com chuva, ventos de 20 a 25 m/s e ondas de até 5 metros de altura.

Por volta da 01:00 hora do dia 28 de Setembro, enquanto as pessoas estavam se divertindo no bar, ouviu-se um grande barulho. De repente, o ESTONIA se inclinou entre 30 e 40 graus a boreste. Os objetos que estavam nas estantes do bar caíram em cima das balconistas e as mesmas foram atiradas ao chão. Ao mesmo tempo, as pessoas que estavam no local foram também atiradas ao chão, algumas delas quebrando o braço e/ou a perna. O tripulante Henrik Sillaste, que trabalhava na casa das máquinas dirigiu-se à sala de controle procurando pelo engenheiro encarregado, que estava vistoriando os monitores e notou que havia uma grande quantidade de água entrando pela escotilha da proa. O MV ESTONIA era uma balsa de passageiros, que tinha uma escotilha com uma rampa em sua proa para permitir a entrada de carga e veículos. Acredita-se que o impacto das ondas tenha soltado o mecanismo que prendia a escotilha, fazendo com que a mesma se abrisse permitindo que as ondas levassem a água para dentro do compartimento onde estavam os veículos, acumulando água, desestabilizando o navio e fazendo com que ele virasse.

Por volta de 01:24 horas, Ilkka Karppala que estava operando o rádio na estação de Uto Island (Finlândia), recebeu um pedido de socorro do ESTONIA indicando sua posição no Mar Báltico a 59 graus e 23 minutos N, 21 graus e 42 minutos E. O ESTONIA também manteve contato com os navios SILJA EUROPA e SILJA SYMPHONY.

Inicialmente as pessoas tentavam ajudar umas às outras, mas a medida que a situação foi se tornando mais crítica, cada um tentava salvar a si mesmo. Muitos que estavam com braços ou pernas quebradas, não coseguiam pegar o colete salva-vidas. As pessoas que pulavam ao mar se agarravam umas às outras impossibilitando ajudarem uns aos outros. Alguns eram puxados para os botes salva-vidas. Aos poucos, algumas pessoas que já estavam nos botes salva-vidas começaram a morrer.

A balsa de passageiros M/S MARIELLA, da companhia Viking Line dirigiu-se rapidamente para o local e por volta das 02:04 horas teve o último contato de radar com o MV ESTONIA. O primeiro navio a chegar no local foi o M/S SILJA EUROPA, mas não pode baixar seus botes salva-vidas por causa do mar agitado e das grandes ondas. Alguns sobreviventes que conseguiram se aproximar do SILJA EUROPA subiram por uma escada. Outras 5 pessoas foram resgatas por um helicóptero finlandês.

O segunda navio a chegar no local foi o M/S SILJA SYMPHONY, que também não conseguiu lançar seus botes salva-vidas. Ficou apenas recebendo os sobreviventes que eram resgatados pelos helicópteros.

O terceiro navio a chegar no local foi o M/S ISABELLA, conseguindo resgatar 70 pessoas usando dois botes de borracha. Vários outros navios chegaram depois, mas nenhum conseguiu resgatar um único sobrevivente.

Somente 137 pessoas sobreviveram, das quais 94 eram passageiros e 43 eram membros da tripulação.

Algumas fontes ainda citam :
  • O ESTONIA parou de fazer transmissões via rádio por volta das 00:30 horas e afundou por volta das 00:50 horas (fuso horário da Suécia).
  • O ESTONIA afundou muito rápido e não foi possível usar os botes salvas-vidas além do fato de muitas pessoas não estarem usando seus coletes salva-vidas adequadamente.
  • Uma comissão de especilistas da Suécia, Finlândia e Estônia, divulgaram um relatório informando que uma das causas do afundamento do navio teria sido um erro no projeto da porta da proa do navio. Foi levantada também a hipótese de um ataque terrorista, pois durante as filmagens dos destroços, foram encontrados indícios de explosão de uma bomba.
  • Uma comissão de especialistas contratada pelo estaleiro alemão que construiu o ESTONIA afirmou que o navio não estava em condições de navegar devido à realização de manutenção inadequada além de reforçarem a tese da bomba baseado em evidências filmadas.
  • O engenheiro sueco Anders Bjorkman atesta que a água entrou por um buraco no casco do navio.
( Texto : Wilson Luiz Negrini de Carvalho )

Este artigo foi publicado pela primeira vez pelo autor, no antigo site MERGULHO BR em 2001.

Para você que gosta de histórias de naufrágios, deixo a sugestão deste livro:

domingo, 10 de junho de 2012

MERGULHO E RESPONSABILIDADE

Vez por outra, vejo alguma notícia de um acidente fatal em mergulho. Na verdade, eles acontecem com mais freqüência do que sabemos. Para quem está interessado no assunto, o que não é o meu caso, basta pesquisar na Internet.

Tendo trabalhado com mergulho durante alguns anos, observei que a questão da responsabilidade, dentre outros fatores, faz uma enorme diferença na hora de alguém retornar bem de um mergulho.

Considero o mergulho autônomo (com uso de cilindros), um esporte extremamente seguro e agradável, mesmo sob circunstâncias de risco. Contudo, esta condição de segurança deixa de existir, se a pessoa que está mergulhando, ou a pessoa com quem você está mergulhando, não respeita os padrões de segurança estabelecidos.

As regras de segurança em mergulho são aperfeiçoadas freqüentemente, para garantir sua segurança no mar. Siga-as!

Em vários mergulhos que realizei sempre tinha alguma condição de insegurança menor ou maior, acontecendo: mergulhador abandonando seu dupla, mergulhador abandonando cinto de lastro no fundo e subindo como um "foguete" até a superfície, mergulho em profundidade superior ao credenciamento que o mergulhador tinha, mergulhador alcoolizado, penetração em caverna ou naufrágio sem credenciamento e equipamento para fazê-lo, descuido com o próprio equipamento, instrutor abandonando alunos no fundo do mar e voltando para o barco durante prova de mergulho noturno que ele estava aplicando, operadora indo embora do ponto de mergulho e no meio do caminho de volta descobrindo que esqueceu mergulhadores para trás. Cuidado com aqueles que dizem: "se está mergulhando comigo, você está bem!" O mar acaba facilmente com a arrogância e a ilusão de qualquer um.

Se eu contar todas as coisas que vi ou vivi mergulhando, vai dar um livro! Perdi a conta do número de vezes que eu quase sofri um acidente para ajudar algum irresponsável no fundo mar. E tem gente perguntando para mim, por que eu não quero mais trabalhar com mergulho. Não vou comentar mais nada...

Longe de mim querer julgar qualquer um. Como mergulhador, já cometi diversos erros também, e acho que cometerei outros no futuro. Contudo, eu conheço e sigo "religiosamente" as regras de segurança durante os mergulhos que realizo.

Ao ler isto que escrevi, estou pensando agora... O objetivo disto não é assustar ninguém ou desencorajar futuros mergulhadores. Muito pelo contrário, mergulho autônomo é algo magnífico, e ao vir para este mundo você perceberá que ele é muito mais que um esporte seguro... Mergulho autônomo é um estilo de vida único.

Mas lembre-se: quem faz a segurança é você!

( Texto : Wilson Luiz Negrini de Carvalho )


Se quiser boas dicas sobre como praticar mergulho em apneia, recomendo o livro:

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

PRESERVANDO O MAR


Apesar das constantes campanhas de preservação ambiental que são amplamente veiculadas pela mídia, muitas pessoas continuam a jogar lixo no mar e nas praias.

Mostro abaixo uma tabela com informações sobre o tempo que alguns materiais demoram para se desfazer no ambiente marinho.
  • Luvas de algodão = 3 meses
  • Caixa de leite = 3 meses
  • Papel toalha = 2 a 4 semanas
  • Jornal = 6 meses
  • Fralda descartável biodegradável = 1 ano
  • Pedaço de madeira pintada = 13 anos
  • Lata e copo plástico = 50 anos
  • Bóia de isopor = 80 anos
  • Lata de alumínio = 200 anos
  • Porta latinha de plástico = 400 anos
  • Garrafa plástica = 400 anos
  • Fralda descartável comum = 450 anos
  • Linha de nylon (linha de pesca e redes) = 650 anos
  • Lixo radioativo = 250.000 anos ou mais
  • Vidro = Tempo indeterminado
Diversas tartarugas já foram encontradas mortas asfixiadas por terem engolido um pedaço de saco plástico. Não só as tartarugas, mas muitos outras animais se ferem ou morrem por ingerirem o lixo jogado pelo homem.

Os principais fatores que ajudam a evitar este tipo de poluição é a boa educação e a prática do bom senso. Quando for a praia, leve um saquinho plástico para jogar seu próprio lixo e depois deixe-o em local adequado para ser recolhido. Uma simples atitude pode ajudar a minimizar o problema.

Anualmente, diversas escolas e operadoras de mergulho promovem o CLEAN-UP DAY, que é dedicado exclusivamente a limpeza das praias e do fundo dos oceanos. Os mergulhadores se reúnem e fazem uma coleta nas praias e no fundo do mar. Depois, o lixo é recolhido para um lugar onde possa ser tratado adequadamente.

Algumas das informações aqui descritas foram obtidas no cartaz publicado pelo Aquário de Ubatuba.
( Texto e foto : Wilson Luiz Negrini de Carvalho )